
Durante o dia uma chuva torrencial castigou a cidade, centro parado, ruas alagadas, engarrafamento, barulho, pessoas correndo, metrô lotado. A entrada no auditório foi um alívio, o silêncio pairava no ar, só se ouvia a voz pausada de Galeano; que fala o que não é falado e conta o que não é contado. Até tentaram calar sua voz após a publicação de Veias abertas da América Latina, que se tornou um clássico; quando seu livro foi censurado pela ditadura Galeano foi irônico: “As pessoas não podem ver o que escrevo porque escrevo o que vejo.”
Hoje sua palavra é livre e cada vez mais clara e perfeita, Eduardo Galeano virou uma espécie de oráculo da esquerda e símbolo da resistência à exploração dos povos oprimidos, suas frases de efeito são citadas em livros e camisas. Na conversa sobre seu livro, Galeano falou sobre sua vida, sobre o exílio, sobre política e como não podia ser diferente, destilou suas ironias.
Disse que os direitos das mulheres são tratados como direitos de minoria, mesmo com o fato claro e evidente de que as mulheres correspondem à metade da população, “Metade pra mim não pode ser minoria; bem, até pode, mas não é muito racional”, ironizou.
Também comentou sobre as eleições nos Estados Unidos, dizendo que considera importante a eleição de Obama num país de grande tradição racista; mas ressaltou que tem problemas para identificar as diferenças entre Republicanos e Democratas, que possuem, quase sempre, o mesmo discurso.
Eduardo Galeano leu trechos de seu novo livro e fez comentários, é difícil saber qual foi o clímax de uma conversa tão especial, assim como é difícil escolher qual é o melhor texto de Galeano. Agora é esperar a próxima.
Seu novo livro já está entre os mais vendidos na Espanha, Uruguai e Argentina.